Foi dada a largada para os preparativos do tradicional encontro do Fisco estadual brasileiro. A VIII edição nacional e III internacional do CONGRESSO FEBRAFITE será realizada na capital paulista, nos dias 19 a 22 de junho de 2011.
Expressamos a indignação da diretoria da AFITES com a nomeação pelo governo do Estado de apenas 15 Auditores, dentre os aprovados no último concurso de 2013, conforme foi publicado no Diário Oficial de 30/12/ 2014, no apagar das luzes do ano que se findou.
A luta por estas nomeações iniciou-se em 14 de fevereiro de 2014 quando a AFITES reuniu-se com um grupo de concursados que esperavam nomeação e apelou ao Executivo para que os aprovados ocupassem um número maior dos cargos devido à grande evasão dos aprovados nos dois últimos concursos. Apesar do Executivo não demonstrar intenção de suprir todas as vagas existentes no quadro da carreira, sinalizou para a nomeação de mais 20 auditores, sendo que este processo desenrolou-se por meses na SEGER, com extrema morosidade, tendo o desfecho aquém da expectativa, no último dia do ano, a exemplo do que foi feito na aprovação da Lei 737/13.
A ocupação das vagas do quadro de Auditores Fiscais é luta antiga da categoria encampada pela AFITES. Nos concursos de 2002 e 2009 houve uma média de 54% de desistências dos nomeados, principalmente pela baixa renumeração no ES, que é uma das menores do país. A projeção da evolução do quadro de aposentadorias até 2019 nos desanima mais ainda, pois mostra o aumento do esvaziamento dos quadros da Sefaz.
No ano referência de 2015, 60 auditores vão estar aptos a aposentar-se. Em 2019 este número sobe para 206, com 163 vagas providas e 417 disponíveis, tendo só 28% de ocupação, sendo que a maioria dos Auditores Fiscais que ingressaram em 1984 e 1988 ainda não usufruiu do benefício de férias-prêmio. Mesmo que ingressassem 206 novos Auditores Fiscais, a Sefaz permaneceria com um total de apenas 369, muito distante dos 580 previstos na LC 737/13.
Agora mais que nunca o Fisco precisa estar unido e mobilizado em defesa dos nossos interesses!
A imagem profissional decorre, em enorme medida, da natureza do trabalho. O imaginário da sociedade estabelece rótulos positivos e negativos originados em aspectos verdadeiros das atividades profissionais. Contudo, sem justa crítica, tais rótulos podem ser exacerbados e se transformar em preconceitos e estereótipos nocivos. Por interesse, ideologia ou falta de sofisticação mental, muitas vezes estereótipos são utilizados como instrumentos de ataque contra categorias profissionais ou parcelas da sociedade. Toda generalização é burra ou mal intencionada.
A natureza do trabalho do funcionário público, por mais que possa parecer óbvio, é servir a sociedade que o emprega e remunera. A do banqueiro é a de rentabilizar o capital dos seus correntistas e, acima disso, extrair o maior lucro possível das suas operações comerciais. Seja na captação dos recursos, seja na disponibilização de linhas de crédito e investimento.
Ao servidor, cabe dar o melhor tratamento possível aos recursos do Estado. Por tratamento, devemos entender o recolhimento dos tributos, a administração das finanças públicas e a transformação final dos impostos em serviços ao cidadão. Ao banqueiro, cabe dar a maior rentabilidade possível aos seus clientes e proteger e remunerar os investimentos dos seus acionistas. Para o funcionário público, o dinheiro do contribuinte é um meio de viabilização do Estado, de financiamento do país e de redistribuição de riquezas. Para o banqueiro, o dinheiro é um fim em si mesmo. O sucesso para o funcionário público reside na quantidade e na qualidade dos serviços prestados. Para o banqueiro o sucesso decorre da multiplicação do dinheiro.
O funcionário público, nos limites legais das atribuições e responsabilidades para a função que exerce, está a serviço de toda a nação. O banqueiro não tem compromissos com o não-cliente e muito menos com aqueles 31% de brasileiros excluídos do sistema financeiro, segundo dados do Banco Mundial (2019). Quanto mais recursos do Estado forem destinados à população excluída do sistema, menos circulação de dinheiro pelos bancos haverá. Eis o conflito de interesses.
O ministro Paulo Guedes, fundador do atual BTG Pactual, ex-sócio da JGP, da BR Investimentos e da Bozano Investimentos, em passado muito recente, comparou os funcionários públicos a parasitas e, no dia 27 de abril, vomitou a falácia de que o funcionário público “não vai ficar em casa trancado com a geladeira cheia assistindo à crise”. Tudo isso enquanto a maior parte do mundo está valorizando e incentivando os seus funcionários públicos que, ou estão na frente da batalha enfrentando a covid-19 ou estão na retaguarda das equipes de saúde viabilizando recursos financeiros, tecnológicos, humanos ou de infraestrutura para o combate.
Não à toa, como resultado natural e cultural da percepção humana, na literatura e no cinema, é grande o número de funcionários públicos apresentados como heróis: o policial corajoso e honesto, o professor abnegado que muda positivamente a vida das pessoas, dedicados profissionais de saúde, diplomatas idealistas, assistentes sociais comprometidas, militares patriotas e magistrados que buscam fazer justiça.
Ao mesmo tempo, invariavelmente, banqueiros e grandes investidores são retratados em livros e filmes como os contratantes dos vilões e, muitas vezes, como o grande vilão. Portanto, o senhor Paulo Guedes deveria se preocupar muito mais em construir uma boa imagem para os banqueiros e megainvestidores do que se dedicar diuturnamente a ferir a imagem do funcionalismo público.
Funcionários públicos, ministro Paulo Guedes, via de regra, são pessoas que optaram por fazer o bem.
https://www.poder360.com.br/opiniao/economia/o-funcionario-publico-e-o-banqueiro-por-rodrigo-spada/